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segunda-feira, 6 de julho de 2015

A economia na governação pombalina

Douro Vinhateiro

Na ordem do dia anda a economia de Portugal, tal como a da zona Euro. Será que na História Económica podemos procurar alguns ensinamentos? Esta foi a nossa questão de investigação, em especial através da governação de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido por Marquês de Pombal.
Durante o governo pombalino, verificou-se uma tentativa de alteração da situação económica portuguesa. Aspirava-se por um Portugal integrado na ligação comercial com as Ilhas Atlânticas, as possessões de África e os estados da Índia e do Brasil. O desejo económico pombalino consistia em dotar o país de novas estruturas que lhe permitissem competir com a Inglaterra, a Holanda e a França. Algo muito similar com os tempos atuais.
Os produtos provenientes do Brasil assumiram grande importância nos mercados nacional e internacional. As primeiras medidas impostas prendiam-se com: a diminuição das importações de bens de consumo que davam lucros ao tráfego estrangeiro; a criação de novos centros de produção manufatureira; o assegurar de bases de rentabilidade e de segurança ao comércio; o encaminhamento da mão-de-obra ociosa para actividades necessárias à sociedade e o fomento da riqueza para benefícios da comunidade.
O governo tentava encontrar meios eficazes para integrar a economia portuguesa no sistema mercantilista que vigorava na Europa. O que convinha a Portugal era uma política de concentração económica, na qual o Estado apoiasse a formação de companhias monopolistas. Pombal defendia afincadamente o mercantilismo, talvez por ter contactado de perto com os benefícios que essa doutrina trouxe à Inglaterra e à Holanda. Era sua intenção construir, no país, uma sólida organização que integrasse companhias ligadas ao tráfego com o Oriente e com as Américas, dado que, na sua óptica, só assim se construíam nações ricas. As companhias deveriam ser preservadas da concorrência que o comércio livre lhes movia, através da baixa dos preços dos géneros e da diminuição do valor da consignação.
O Secretário de Estado orientou a sua teoria económica por um pensamento de sistema, demonstrado na criação de um órgão consultivo essencial à coordenação das actividades comerciais: a «Junta do Comércio», criada a 30 de Setembro de 1755. Mais tarde, nela foram também integrados um juiz conservador e um procurador fiscal.
A partir de 1770, a «Junta do Comércio» revelou-se um organismo administrativo básico de todo o desenvolvimento que se processava na indústria. Este organismo ordenava o comércio, intervinha na importação de produtos manufacturados e reprimia o contrabando. Para a abertura de lojas em Lisboa; a partida de frotas para o Brasil; a instalação de homens de negócios e a habilitação de determinados ofícios fabris, tornava-se necessária a autorização concedida pela Junta.
Com o excepcional desenvolvimento que se processava no norte do Brasil, os negociantes solicitaram ao governo a fundação de uma companhia vocacionada para o comércio. Reconhecendo a grande importância desta zona para a actividade comercial e os benefícios que uma companhia lhe poderia trazer, o governo decidiu atender ao pedido, criando, pelo alvará de 5 de Junho de 1755, a «Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão». A esta Companhia, o governo atribuiu o monopólio do comércio entre a metrópole e o Grão-Pará e o Maranhão.
Em 1759, é solicitada à Coroa a criação de uma «Companhia Geral para o comércio de Pernambuco e da Paraíba». Esta não contava com a participação da Fazenda Real e era constituída por um corpo político e por uma junta com sede em Lisboa. Objectivava o comércio exclusivo com as capitanias e com a costa africana, o aumento do número de fábricas e engenhos na Paraíba e em Pernambuco e o fomento dos atanados, solas e couros. Estava expressamente proibido o comércio com os portos do sertão brasileiro (Alagoas e os do rio S. Francisco).
Estas companhias registaram extraordinários progressos. Porém, desde a queda de Pombal, em 1779, que as companhias começaram, também, a "ruir".

A Inglaterra detinha o privilégio do comércio do vinho do Porto português, o que contribuiu para a redução da qualidade do produto no mercado interno. O povo luso e ,mais tarde, o inglês sentiam essa «decadência» do vinho. Um grupo de lavradores e de «homens-bons» do Porto, com o objectivo de melhorar a situação, decide, então, pedir ao dominicano João de Mansilha que dirigisse a petição, para a criação de uma companhia que os defendesse da crise que se processava no Douro, ao governo. Com o apoio de Pombal, esse problema é integrado na política económica mercantilista e proteccionista da Coroa. Em resultado dessa inserção, pelo alvará régio de 10 de Setembro de 1756, é criada a «Companhia Geral da Agricultura e das Vinhas do Alto Douro». Esta apresentava como objectivos: suportar e controlar a cultura das vinhas; vigiar a qualidade da produção; promover o seu comércio externo e internacional; assegurar a saúde dos trabalhadores e libertar a vinicultura do Alto Douro da especulação dos comerciantes ingleses. O novo monopólio acabava, assim, com o da feitoria inglesa.
A pesca era uma actividade que havia entrado em decréscimo. Sugerindo uma forma de solucionar o problema, D.José I propõe a criação de uma Companhia Geral que desenvolvesse a pesca. Nasce assim, a 8 de Janeiro de 1773, a «Companhia Geral das Reais Pescarias do Reino do Algarve», que recebeu, durante 12 anos, um estatuto com vinte e um títulos. No ano seguinte, em 1774, Carvalho e Melo ordenou a edificação de uma vila régia que fosse o principal centro de pescarias do Algarve, na foz do Guadiana. Algum tempo depois, estava construída uma vila algarvia com acesso directo ao comércio piscatório e marítimo da Andaluzia e do Norte de África. Pombal foi o responsável pelo fomento da agricultura e da pesca algarvias. Após o terramoto de 1755, foram, então, reconstruídas inúmeras casas e igrejas. A costa algarvia foi também fortificada, a fim de se evitarem ataques de corsários e do inimigo.
Ao longo do reinado josefino, a política económica de Pombal manifestou bastante interesse em apoiar as manufacturas, criar melhores condições para o desenvolvimento industrial e diminuir as importações, tornando a economia portuguesa independente da inglesa e da francesa. O Marquês de Pombal, com o propósito de valorizar os centros beirões (Fundão e Covilhã), cria, aliás, a «Superintendência das Fábricas e Lanifícios». Chegam, então, do estrangeiro, mestres tecedeiros e tintureiros, que tomam a iniciativa de abrir e desenvolver diversas fábricas no nosso país. Fomentaram-se as manufacturas, protegeram-se as fábricas reais de lanifícios, subsidiou-se a criação de fábricas de vidros, louças, cutelarias, fundição e outras. Fundou-se também a primeira fábrica de refinação de açúcar e reorganizou-se / nacionalizou-se a Real Fábrica da Seda.
Real Fábrica das Sedas, Lisboa

A agricultura era muito importante para o fomento industrial, visto ser esta a principal fornecedora de matérias-primas. O incremento da agricultura, processou-se a um ritmo mais lento e o desenvolvimento não foi tão grande como o industrial. Na óptica pombalina, era necessário que todo o país fosse cultivado, para que as necessidades sociais fossem satisfeitas. Este objectivo nunca foi completamente atingido, visto que a situação da agricultura era precária e muito difícil de inverter. A actividade agrícola era ainda de cariz tradicional e os proprietários mostravam-se renitentes em modernizá-la. Aliado a estes obstáculos surge o facto de a mão-de-obra não ser especializada. O governo tentou implantar medidas que renovassem as estruturas rurais, mas a realização desse plano dependia também do apoio e da concordância da mão-de-obra agrícola, que, na sua maioria, se opunha a colaborar. Visando melhorar a situação agrícola, o governo tentou, igualmente, por termo ao parcelamento das terras a que se procedia ao longo das gerações, mas depressa se deparou com obstáculos, pois os proprietários recusavam vender as suas partes. A ocupação de terrenos férteis por murros, valados e «atravessadouros» dificultava, por outro lado, o seu aproveitamento. A Carta de Lei de 9 de Julho de 1773 continha medidas que valorizavam e defendiam a boa utilização dos terrenos agrícolas. A acção pombalina relativa à agricultura consistiu numa política de concentração de terras, fundamental para a agricultura abandonar a penosa situação em que se encontrava. O Marquês ambicionava dignificar a situação da mão-de-obra agrícola, fazendo com que esta partilhasse da riqueza que produzia. "O grande objectivo estava em fornecer «estimulos» e «cabedaes» às pessoas, em benefício dos fundos particulares em que «consistem a felicidade dos povos e as forças do Estado» ( Serrão, Joaquim Veríssimo, O Marquês de Pombal - o Homem, o Diplomata e o Estadista, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, Oeiras e Pombal, 1982). No que concerne à agricultura, as preocupações do reinado josefino manifestaram-se já bastante tarde, o que veio impedir uma resolução eficaz da situação.
Defendendo uma política mercantil e proteccionista, o Marquês de Pombal aplicou todas estas medidas, com o objectivo de valorizar a produção nacional e de libertar o país da dependência económica relativamente à Inglaterra. Em termos económicos gerais, o reinado de D.José I constituiu um marco essencial e decisivo para o desenvolvimento económico de Portugal, na medida em que houve uma redução no déficit da balança comercial com o estrangeiro e assistiu-se a um importante contributo para o arranque da indústria portuguesa.

Autores:

Catarina Du, 8º B
Domingos Santos, 8º B
Jorge Andrade, 8º B
Maria Santos, 8º A
Nuno Ferreira, 8º A
Sérgio Gama, 8º A
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A Europa a caminho da Terra Santa

Batalha entre Muçulmanos e Cruzados Cristãos
 
Num tempo marcado pelas questões do fundamentalismo islâmico, em que os muçulmanos se encontram dentro do espaço europeu pondo em causa a nossa segurança e liberdade nada melhor do que revisitar um momento de choque entre o Oriente e o Ocidente: as Cruzadas, entre os sécs. XI e XIII. Mas, existirá de facto um confronto permanente entre os dois mundos?
Ao longo dos séculos XI a XIII, uma ideia forte percorreu a Europa: organizar expedições militares destinadas a arrancar das mãos dos Muçulmanos os lugares onde viveu e morreu Jesus Cristo. Essas campanhas, mais tarde conhecidas por Cruzadas, marcaram também o início do expansionismo europeu, fenómeno que viria a conhecer o seu apogeu mais tarde.
No dia 18 de novembro de 1095, o Papa Urbano II solicitou a ajuda do povo para conquistar a Terra Santa dos inimigos da Fé (muçulmanos), então decorreu a primeira e a mais importante das cruzadas. Jerusalém foi, assim, conquistado pelos francos e durante algumas décadas existiram estados cristãos latinos no Oriente.
Em 1096, a Cruzada Popular ou dos Mendigos, liderada por Pedro, o Eremita parte para a Terra Santa com o princípio de a conquistar. No mesmo ano, a Cruzada de Barões ou Nobres uniu-se com a Cruzada Popular com o mesmo objetivo (primeira cruzada).
No ano de 1147, devido á fundação do primeiro estado latino, Outremer e a conquista da Cidade Santa organizou-se uma nova expedição militar aos lugares santos (segunda cruzada). Decorre, assim, a conquista de Lisboa, os cruzados ingleses, alemães e flamengos auxiliam D. Afonso Henriques a apoderar-se da futura capital portuguesa. Esta conquista foi o único êxito desta cruzada.Em 1189 ocorreu uma nova campanha militar que tentou compensar o fracasso da cruzada anterior.
Os organizadores da quarta cruzada recorreram ao apoio financeiro de Veneza para conseguirem conquistar a Terra Santa e outras cidades. O magistrado veneziano para os auxiliar propôs o saque da cidade cristã de Zara. Posteriormente, os cruzados francos e venezianos, em vez de atacarem os muçulmanos, saquearam Constantinopla, capital do Império Bizantino, cristão de culto grego.
A quinta cruzada deu-se no ano de 1217 e foi, pela primeira vez, uma campanha militar dirigida ao Cairo no Egito, pois numa paz negociada em 1219 com os muçulmanos, Jerusalém era oferecida aos cristãos, entre outras cidades, em troca da sua retirada do Egito.
Em 1228, as cidades de Jerusalém, Nazaré e Belém na Palestina foram recuperadas pelos cristãos (sexta cruzada) e em 1248 ocorreu a sétima cruzada onde o Rei Luís IX dirigiu as primeiras cruzadas contra o Egito. Mais tarde, morreu de febres na sua segunda expedição em 1270.
Finalmente, em 1272, com a queda da grande fortaleza Krak dos Cavaleiros, terminaram, assim, as cruzadas do Oriente.
Krak dos Cavaleiros, Síria

Após este movimento a Europa enfrentou grandes mudanças culturais. Neste continente, a vida da população permanecia simples e austera. O desconforto era notório, mesmo nos castelos e palácios, e a alimentação era pouco variada. As roupas eram de lã e raramente eram lavadas, à exceção de algumas cidades onde a tradição romana perdurara.
Em contraste nos Estados Latinos do Próximo Oriente, as vestes depressa se orientalizavam. O clima quente e seco depressa ensinou os recém-chegados a adotar os hábitos da população. A convivência entre eles era constante nos mercados, banhos e caravanas. Tapeçarias, mobiliário elegante, faianças requintadas, jóias, bordados de ouro, banhos públicos tornaram-se um hábito constante entre ocidentais…
A maioria dos peregrinos voltava de lá com uma variedade de relíquias e recordações. As mais valorizadas eram a cruz onde Cristo morreu, pedras do Santo Sepulcro, do Calvário, da manjedoura da Natividade e da rocha onde Cristo ascendeu ao Céu…Os peregrinos mais humildes tinham que se contentar com frasquinhos de água do rio Jordão e folhas de palmeira.
Em suma, pelos motivos referidos anteriormente, o impacto das cruzadas fez com que o Próximo Oriente e o continente Europeu se aproximassem. A Europa não voltou a ser a mesma coisa depois deste movimento político, militar e social de grande envergadura.
 
Autores:
 
Ana Mafalda Caetano, 7º A
Catarina Lopes, 7º A
Mafalda Moreira, 7ºA

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

As raízes do terrorismo islâmico moderno

Fundamentalistas islâmicos destroem Património da Humanidade

Nos últimos anos têm-se verificado ataques de radicais muçulmanos, em países muçulmanos e laicos em elevado número. Apesar deste fenómeno ser recente na História, surgiu por volta da década de 70 do século passado, no momento preciso em que o mundo árabe sofria alterações importantes, existem alguns dados que levam a balizar o terrorismo islâmico desde as suas origens. Nos anos de 1970, o mundo muçulmano tinha chegado a um labirinto, dado que a educação e o conhecimento não ofereciam já novas perspetivas para melhorar as condições de vida das pessoas, nem material nem moralmente.
Na realidade, aqueles que acumulavam riqueza e prestígio eram pequenos tiranos, traficantes, delinquentes vulgares e empresários conluiados com os militares que governavam os países islâmicos. A taxa de analfabetismo, que tinha descido continuamente desde a década de 1950, após a independência em relação às potências europeias, começou a estagnar e depois a subir. Por outro lado, as liberdades recuaram por todo o mundo muçulmano. No Iraque, Síria, Líbia, Irão ou Arábia Saudita só uma pessoa se podia dizer livre: “O Ditador”.
Este contexto, tornou-se um terreno fértil para recrutamento por parte dos líderes islâmicos radicais, pois ajudou extremistas islâmicos a espalhar a sua visão do mundo. A pobreza, a exclusão, a secularização das sociedades tornaram-se nos temas que alimentavam o discurso dos fundamentalistas islâmicos. Por isso, a primeira tarefa passa por retomar o progresso, ou seja, lutar para proporcionar ao maior número de pessoas a oportunidade de uma vida melhor.
Alguns estudiosos, traçam, igualmente, as raízes do terrorismo islâmico desde o século XI, ligados a uma ordem do xiismo ismaelita que tinha como alvo oponentes políticos e religiosos que se interpunham à ideologia sectária do grupo. No momento em que o Profeta morre, em 632, os seus seguidores não se entendem quanto à liderança dos muçulmanos, daí que surjam os xiitas e sunitas, como duas visões do caminho a seguir depois da morte de Maomé. Ao propor uma continuidade entre as manifestações medievais e modernas do terrorismo islâmico, estes estudiosos identificam um motivo subjacente comum a ambos, mais especificamente uma lealdade a um imperativo divino, bem como táticas semelhantes, tais como a procura consciente do martírio.
Todavia, o aparecimento do terrorismo islâmico moderno tem as suas raízes no século XIX. O movimento wahhabista, um movimento fundamentalista árabe que foi formado no século XVIII que visava purificar o islamismo para devolvê-lo às suas raízes do século VII, inspirou gradualmente outros movimentos fundamentalistas durante o século XIX. Diversas ondas de movimentos terroristas de motivação política surgidos na Europa durante o século XIX e no início do século XX serviram como inspiração e modelo para os militantes islamitas no decorrer do século XX. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos e o Reino Unido apoiaram a ascensão de grupos fundamentalistas no Oriente Médio e na Ásia Meridional como forma de se opor à expansão soviética na região e como forma de enfraquecer movimentos nacionalistas antiocidentais em alguns países.
Uma outra ordem de razões para o fundamentalismo prende-se com a estagnação económica que o mundo islâmico vive desde a queda do Império Otomano no início do século XX. Se excetuarmos a exportação do petróleo e dos seus derivados, a região do Médio Oriente islâmico, com cerca de 400 milhões de habitantes, tem um nível de exportações igual ao da Suíça. Estas dificuldades económicas ajudam a diabolizar os “ricos ocidentais”.
Terrorista palestiniano

A escalada do terrorismo no final do século XX relaciona-se com três eventos cruciais ocorridos em torno de 1979: a Revolução Iraniana, o renascimento religioso global que se seguiu ao fim da Guerra Fria, e a retirada soviética do Afeganistão. Estes eventos teriam sido responsáveis por fazer que alguns grupos recorressem ao terrorismo religioso. O historiador americano Walter descreveu a invasão soviética do Afeganistão como o "gatilho global" do território islâmico para o fundamentalismo.
Deste modo, o terrorismo islâmico moderno é um fenómeno com origens remotas, com motivações muito diversas, religiosas, políticas e económicas. Assim não podemos olhar para este fenómeno de uma forma única, mas múltipla.

Autores:

António Magalhães, 7º A
David Silva, 7º A
José Henrique Santos, 7º A
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Exposição de anatomia animal surpreendeu todos …



 Realizou-se no passado dia 28 de maio a I Exposição de Anatomia do Colégio Casa-Mãe, organizada e dinamizada pelos alunos de Biologia, da turma A do 12º ano, tendo como padrinho o Dr Duarte Monteiro, anatomista especialista do ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Universidade do Porto.
Nesse dia o Laboratório de Biologia e Geologia do nosso Colégio, inspirado e decorado segundo o estilo do inconfundível Hannibal Lecter, célebre personagem de ficção, abriu as suas portas aos demais elementos da comunidade educativa. Todas as turmas, do ensino pré-escolar ao ensino secundário, visitaram a exposição anatómica, observando exemplares reais de peças anatómicas animais, conheceram algumas técnicas de preservação e extração de órgãos, descobriram os principais produtos, biológicos e químicos, utilizados na preservação de órgãos e ossos. Igualmente os alunos de Biologia exibiram a conservação realizada, nas suas aulas, de seis órgãos animais, desde o coração ao rim, dos olhos ao fígado, entre outros.
Ao final do dia, pais e encarregados de educação, marcaram presença em massa, assistindo com os seus educandos às peças anatómicas em exibição, contactando com os alunos do 12º ano, num espírito de curiosidade e descoberta científica. Foi ainda possível realizar uma entrevista ao Dr Duarte Monteiro, pelos alunos de Biologia do 12º ano.

Entrevista a Duarte Monteiro

Dr. Duarte Monteiro


CCM News – Desde o princípio, o Duarte revelou-se bastante interessado em ajudar naquilo que fosse preciso. O que lhe interessa neste tipo de projeto e de que forma acha que estes beneficiam a educação dos mais jovens?

Duarte Monteiro (DM) - Não é o que me interessa neste tipo de projecto, mas sim em qualquer projecto.O importante é nos pormos a “mexer”.
Cada ser humano deve sentir-se como uma espécie de laboratório sempre em ebulição, começando por uma aprendizagem, (conhecimento), evolução e transmissão desse conhecimento, porque a evolução dos jovens não é mais do que a aquisição de conhecimento e sua transmissão aos outros, seja qual for a espécie e grau de conhecimento.
O Homem não deve ser visto como um ser individual mas sim como um todo, logo com os mesmos deveres e os mesmos direitos.

CCM News – Apesar de representarem polos profissionais distintos, a arte e a ciência são duas áreas a que se dedica simultaneamente e que tenta conciliar de uma forma improvável. De que forma consegue fazê-lo?

DM - A forma como tento conciliar a arte e a ciência, não é assim tão improvável.
A Arte e a Ciência sempre estiveram, próximas desde a pré -história.
Em todos os rituais míticos o Homem da pré-história, tentava colmatar todos os seus problemas “científicos” com rituais, para os quais se preparava com pinturas e adereços que espiritualmente os fortalecia. A Arte ao serviço da Ciência. 
Se passarmos à antiguidade, vamos ver que os médicos, por exemplo eram homens que sabiam de tudo. A sua sabedoria ia desde a medicina às artes passando pela química, física, filosofia etc..
Já no renascimento, Leonardo da Vinci como artista, se tornou um grande anatomista.
Andrea de Vesalius, como médico se fez rodear de alguns, discípulos do pintor Tissiano, dos quais saliento o Van Calcar, que iam desenhando enquanto ele dissecava, dando este trabalho de grupo, origem ao livro que revolucionou a medicina, “De Humani Corpirs Fabrica”.
Já no séc. XX, Frank H. Netter, tendo cursado artes e depois medicina vai juntar as duas formações tornando-se no maior ilustrador científico do século.
Como vêm a arte e a ciência sempre se entenderam, e lutaram juntas em prol de uma sociedade melhor.
CCM News – Com este tipo de projetos pretendemos dar a conhecer um pouco mais o corpo humano de uma forma mais interessante e apelativa. Para tal, procuramos associar esta temática com outras formas de acesso a este tipo de informação recorrentes no quotidiano dos mais jovens, como as séries televisivas. De que forma acha que a crescente facilidade de acesso à informação alterou o modo de pensar dos mais jovens relativamente a temas como a desmitificação do corpo humano? E em que medida este maior conhecimento pode simbolizar uma evolução na mentalidade da sociedade?

DM - É evidente que o Homem desde a pré-história que anda á procura de si mesmo. A grande busca do Homem está mesmo no “auto conhecimento”.
Reparem no que foi dito atrás, o homem desde a pré-história que usa os mitos, as crenças religiosas e a medicina para aumentar a sua esperança de vida.
Isto é ou não evolução da mentalidade da sociedade?
Claro que sim.

CCM News – Enquanto professor, é importante cativar os alunos para os temas tratados. De que forma o tenta fazer? O que mais valoriza num aluno?

DM - No início dos nossos encontros, eu disse-vos que não era professor, mais sim técnico especialista de anatomia. A minha vivência como professor foi mínima e numa escola de artes, no entanto também senti o vosso lado, durante anos, como aluno, o que me levou a ter este tipo de personalidade.
Depois com o decorrer dos anos á frente das visitas ao Museu de Anatomia Prof. Nuno Grande, fui-me apercebendo que não vos devia “debitar matéria”, mas sim contar-vos histórias acerca do museu, das peças e da sua preparação. Histórias estas, que sei que irão guardar e utilizar sempre que acharem necessário.
Para finalizar diria que a idade dos “porquês” não deve andar pelos três anos de idade, como se costuma dizer, os porquês devem nos acompanhar por toda a vida, pois esta é a única forma de “crescermos”. Este querer crescer até ao fim da vida é aquilo que mais valorizo no ser humano, “aluno”.

Autores:

Beatriz Sousa, 12º A
Francisca Sousa, 12º A
Hugo Nunes, 12º A
Nuno Ferreira, 12º A
Mafalda Sampaio, 12º A
Marta Dias, 12º A
Alice Du, 12º A
Patrícia Carvalho, 12º A
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A Casa do Infante


Casa do Infante, 1909
O Porto tem sido nos últimos tempo premiado como destino turístico, o que origina que alguns pontos de interesse histórico sejam renovados. Uma das instituições portuenses que sofreu inovações nos últimos anos foi a Casa do Infante. Mas porque se chama Casa do Infante? Está relacionada com o Infante D. Henrique, o maestro do início das nossas descobertas africanas? Que valências estão aí instaladas?
A Casa do Infante está situada na rua da Alfândega, perto da Ribeira, o que já nos diz algo sobre a sua primitiva utilização. A sua história remonta a 1325, quando o rei D. Afonso IV mandou construir o “almazem” régio (isto é, a alfândega régia), contra a vontade do Bispo, então senhor do burgo. Assim nasceu a Alfândega do Porto, para onde eram encaminhadas todas as mercadorias que aportavam à cidade, a fim de ser cobrado o respectivo imposto.
O edifício da velha Alfândega está intimamente à figura do Infante D. Henrique que, segundo a tradição, teria nascido neste local, em 1394. A origem portuense do Infante D. Henrique é conhecida através do cronista Fernão Lopes. No Arquivo Histórico Municipal do Porto existe o documento com as despesas efectuadas durante as festas do seu baptizado, em 1394. A ligação do nascimento do Infante a este edifício entronca numa tradição popular. Sabemos que a torre norte foi habitação do almoxarife do rei, podendo ter sido este o local de estadia da corte. A credibilidade da versão popular assenta ainda no facto de se tratar do maior edifício civil do burgo e de ser propriedade da coroa.
Alfândega Régia, Época Medieval

O edifício primitivo era constituído por duas altas torres e um pátio central, cuja localização ainda se pode identificar. Os pisos mais elevados da torre norte funcionavam como local de habitação. A oriente do edifício principal havia um amplo recinto, onde funcionava a Casa da Moeda, cujas origens remontam também ao século XIV. Nas imediações foram-se concentrando outros importantes serviços da Coroa, como a Contadoria da Fazenda e o Paço dos Tabeliães.
No século XVII, todo o conjunto da Alfândega e Casa da Moeda sofreu profundas alterações. A fachada avançou sobre a rua, até ao limite atual. Foi demolida a parte superior das torres, as quais deram lugar a dois amplos cobertos. Uma inscrição de 1677 assinala esta obra. A Casa da Moeda medieval foi parcialmente demolida durante um interregno de laboração (1607-1688), passando a funcionar mais tarde em metade do seu espaço inicial. Os serviços alfandegários continuaram a funcionar neste local até ao século XIX, sendo então transferidos para a Alfândega Nova, em Miragaia. Depois disso, a Casa do Infante foi utilizada por particulares, como armazém de mercadorias.
Classificado como Monumento Nacional em 1924, o edifício veio a ser alvo de um grande restauro pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no fim da década de 1950. Foi então entregue à Câmara Municipal do Porto e ocupado pelo Gabinete de História da Cidade. Em 1980, este deu origem ao Arquivo Histórico Municipal do Porto que conserva a documentação camarária desde o período medieval, para além de uma excelente colecção de plantas da cidade e ainda uma boa biblioteca com vasta e variada bibliografia dedicada à história do burgo.
Na década de 1990 foram feitas profundas escavações arqueológicas, cujos resultados, juntamente com o estudo documental e arquitectónico, permitiram conhecer com pormenor o local. As escavações proporcionaram uma visão mais rica dos edifícios e dos homens que os utilizaram. Para além dos objetos do quotidiano, as cerâmicas, os vidros, os selos da alfandegagem, entre outros objectos, constituem importantes indicadores dos fluxos comerciais que a cidade do Porto foi mantendo ao longo dos séculos.
A pesquisa arqueológica permitiu também a descoberta de vestígios de ocupações anteriores, nesta zona ribeirinha. Foram encontrados importantes testemunhos da ocupação romana, destacando-se os primeiros mosaicos do Baixo Império encontrados no Porto. A musealização destes vestígios, no local onde foram descobertos, foi um elemento essencial do projecto de transformação das instalações. Um circuito de visita museológico ilustra a história do local, desde a ocupação romana, com recurso a aplicações multimédia e a uma maqueta interactiva representando o Porto Medieval. Este núcleo museológico está integrado no Museu da Cidade.
Maqueta do Porto Medieval

Na atualidade, a Casa do Infante funciona como museu que retrata a história da cidade, da Alfândega Velha, da Casa da Moeda e possui uma exposição interativa sobre os Descobrimentos Portugueses.

Autores:

Henrique Andrade, 5ºB
Luís Martins, 5º B
Matilde Lema, 5ºB
Rita Ferreira, 5ºB
Teresinha Costa, 5ºB
Tiago Meireles, 5ºB

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